AS FORES, O AMOR E O PERDÃO
Poeta Raymundo Cortizo Perez, (Th.D.
Epígrafe
"O homem que planta flores e o que perdoa a ofensa cultivam o mesmo solo: a brevidade da terra."
— Anônimo
Introdução: O Solo da Existência
Há uma simetria oculta entre o gesto de estender uma flor e o de conceder o perdão. Ambos são atos de desarmamento. A flor oferece a beleza sem exigir permanência; o perdão oferece a paz sem exigir reparação. Separá-los é fragmentar a própria urgência do viver. Dar em vida não é um conselho moral — é uma necessidade metafísica. O mármore dos túmulos é impermeável ao perfume e surdo à absolvição. Portanto, que a palavra e o broto se encontrem enquanto o sangue ainda corre quente, pois o tempo não aceita promessas tardias.
O Poema: Da Raiz ao Florescer
I.
A mão que oferece a rosa do afeto
é a mesma que abre a cela da mágoa.
O amor e o perdão sob o mesmo teto,
como a sede que encontra o caminho da água.
Não há flor que cresça em solo ferido,
se antes o peito não limpa o espinho;
o gesto de afeto só faz seu sentido
se o perdão for a luz que clareia o caminho.
A mão que oferece a rosa do afeto
é a mesma que abre a cela da mágoa.
O amor e o perdão sob o mesmo teto,
como a sede que encontra o caminho da água.
Não há flor que cresça em solo ferido,
se antes o peito não limpa o espinho;
o gesto de afeto só faz seu sentido
se o perdão for a luz que clareia o caminho.
II.
Dar em vida a cor que o mundo precisa,
dar em vida o sopro que cura o lamento.
A flor é o abraço que a vista divisa,
o perdão é a flor que se planta por dentro.
Um adorna o dia com traços de luz,
o outro resgata o que estava perdido.
A mesma fragrância que a rosa produz
tem o dom de curar o coração ofendido.
Dar em vida a cor que o mundo precisa,
dar em vida o sopro que cura o lamento.
A flor é o abraço que a vista divisa,
o perdão é a flor que se planta por dentro.
Um adorna o dia com traços de luz,
o outro resgata o que estava perdido.
A mesma fragrância que a rosa produz
tem o dom de curar o coração ofendido.
III.
Que os vivos recebam o mel e o abraço,
antes que o tempo se torne poeira.
Não guarde o suspiro para o cansaço,
nem mude a palavra na hora derradeira.
Flores na mesa, perdão na conversa,
andando de mãos dadas na mesma jornada.
Pois quem compreende a existência depressa,
sabe que a morte não aproveita mais nada.
Que os vivos recebam o mel e o abraço,
antes que o tempo se torne poeira.
Não guarde o suspiro para o cansaço,
nem mude a palavra na hora derradeira.
Flores na mesa, perdão na conversa,
andando de mãos dadas na mesma jornada.
Pois quem compreende a existência depressa,
sabe que a morte não aproveita mais nada.
Epílogo: A Colheita do Tempo
Ao fim do dia humano, o que resta não são as propriedades acumuladas ou as razões defendidas no tribunal do orgulho. Restam as flores que tivemos a coragem de entregar e os nós que aceitamos desatar. Unir a fragrância da flor à leveza do perdão é entender que a vida é um ciclo de cultivo urgente. Quem perdoa liberta o outro e a si mesmo para voltar a florir. Quem oferece a flor celebra essa libertação. Que se faça o pacto com o instante, pois a vida é a única estação onde a semente da paz pode, verdadeiramente, desabrochar.

