O CONCEITO DA SALVAÇÃO Prof. Raymundo Cortizo Perez

 Epígrafe

 O CONCEITO DA SALVAÇÃO

Prof. Raymundo Cortizo Perez

EPÍGRAFE 

"Pois nele foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis... Tudo foi criado por meio dele e para ele."
— Colossenses 1:16
Introdução Crítica
O conceito da salvação (soteria) é abordado aqui não apenas como um evento histórico ou um veredito jurídico, mas como uma necessidade ontológica — a restauração do próprio ser que se fragmentou ao afastar-se da Fonte Divina. Através da cosmologia de Cristo, o Verbo (Logos) não é um mero intermediário, mas o próprio eixo geométrico e sustentador do universo. A encarnação e o sacrifício reorganizam o cosmos ordenado que havia caído em entropia espiritual.
Os preceitos salvíticos (os mandamentos, a graça e a fé) deixam de ser regras morais externas e passam a ser leis metafísicas: engrenagens que alinham a criatura de volta à sinfonia do Criador. Por fim, essa mecânica divina se manifesta visivelmente na história e na igreja através da centralidade da Palavra (Sola Scriptura) e dos dois sacramentos instituídos por Cristo (o Batismo e a Santa Ceia), que operam como sinais e selos da aliança eterna, culminando na glória exclusiva de Deus (Soli Deo Gloria).
O Logos da Restauração
I.
Do nada o Ser brotou, || no traço do Cenáculo,
E o cosmo se expandiu || no Verbo em receptáculo.
Mas a criatura, em si, || rompendo o elo antigo,
Caiu na escuridão || do ontológico abrigo.
II.
A queda não foi só || faltar com o mandamento,
Foi a fratura atroz || do próprio fundamento.
O homem, que era luz, || virou matéria esparsa,
Perdendo a sua essência || em sombra que disfarça.
III.
Eis que o Cristo desceu || da abóbada infinita,
Cosmologia viva || em carne que habita.
O Eixo do universo || uniu a terra ao céu,
Rasgando com seu sangue || o transitório véu.
IV.
Salvação é o resgate || e a cura do que existe,
Preceito que organiza || a alma que subsiste.
Na graça se refaz || a nossa arquitetura:
Voltar ao Próprio Ser || na eterna Criatura.
V.
A promessa do Pai || que ao pecador resgata,
Na água do Batismo || em nossa carne impacta.
Não é mera virtude || intrínseca do elemento,
Mas sinal que confirma || o eterno testamento.
O Espírito desce || e gera o novo homem,
Para que velhas culpas || no abismo se consumam.
VI.
Mergulhados na morte || de quem nos deu a vida,
Ressurgimos com Ele || à pátria prometida.
O rito nos insere || no Corpo da Igreja,
Onde o Cristo ressurreto || governa e peleja.
A ontologia limpa, || de Deus sendo morada,
Traz a herança dos santos || na fronte assinalada.
VII.
O pão que nós partimos || e o cálice bendito,
Relembram o calvário || do sacrifício estrito.
Não há repetição || da dor que já foi feita,
Pois a obra na cruz || tornou-se perfeita.
Memória que alimenta || a fé que nos conduz,
Fitando o Redentor || na Sua própria luz.
VIII.
Na mesa do Senhor, || mistério que nos cria,
O Espírito nos eleva || à Santa Criação.
Não há matéria física || mudada em divindade,
Mas comunhão real || na mística verdade.
O Cristo que é o Cosmo || sustenta o nosso caminhar,
Nutrindo o novo ser || que veio resgatar.
IX.
A voz que tudo criou || e o caos organizou,
Na página sagrada || o Seu querer gravou.
Não há sinal ou rito || que encontre o seu sustento,
Se a Bíblia não for base || e o sopro do argumento.
A Lei que nos aponta || a nossa própria queda,
É o Verbo que nos guia || e a Graça que nos veda.
X.
Ao Deus que governa || o tempo e o infinito,
Ao Filho cujo sangue || desfez o nosso escrito,
Ao Santo Paráclito || que a alma vivifica,
A Criação resgatada || louva e glorifica.
A Ele seja a honra, || o império e a vitória,
Do princípio ao fim, || na Sua eterna glória!


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